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São Joanense comemora 120 anos



São Joanense comemora 120 anos


São Joanense, marco no desenvolvimento de São João del-Rei, completa 120 anos.




Informa José Carlos Dias, ao tecer a história da São Joanense, que a empresa, fundada no dia 5 de fevereiro de 1891, “nasceu como resultante do desejo de um grupo de pessoas desta terra que preocupado em propiciar um clima desenvolvimentista para a região, juntou-se para construir uma fábrica de tecidos de algodão”. O local escolhido para o empreendimento foi a “Chácara da Olaria”, que recebeu construção adequada, inclusive recebendo em seu pátio um desvio da Estrada de Ferro Oeste de Minas, inaugurada 10 anos antes, que transportava matéria-prima e lenha para alimentar a caldeira da fábrica.

Integravam a primeira Diretoria da São Joanense os Drs. Alberto Augusto Isacson, Paulo Freitas de Sá, Custódio de Almeida Magalhães, José Rezende de Carvalho e outros. A empresa despertou grande interesse, atraindo a participação de 71 acionistas que subscreveram a totalidade do capital. Bernardo Pinto Mascarenhas, grande empreendedor mineiro, firmou contrato para o fornecimento de 40 teares e acessórios, bem como para a elaboração da planta do edifício a ser construído. Em agosto desse ano, a construção estava bem adiantada, enquanto que os teares importados já se encontravam na Alfândega do Rio de Janeiro; para a montagem desse equipamento foi contratado em Manchester o técnico George Edward Tates, cabendo-lhe, além disso, instruir os operários sobre o seu funcionamento. Em julho do ano seguinte, a direção da empresa ofereceu emprego para pessoas da região

Em 1919, o controle acionário da Companhia Industrial São Joanense foi assumido pela Fábrica de Tecidos Esperança S.A., sediada no Rio de Janeiro, que tinha entre os seus dirigentes o Sr. César Augusto Bordallo, que veio de Portugal ainda muito jovem e se especializou em contabilidade empresarial e financeira. Nesse mesmo ano, ele subscreveu ações da São Joanense passando a demonstrar grande empenho no crescimento da companhia, o que de fato ocorreu, tanto que foi premiada com Medalhas de Prata e Ouro na Exposição Internacional do Centenário, em 1922.

Em 25 de fevereiro de 1937, ata da Assembleia Geral Ordinária da Tecidos Esperança S.A. registra que seu Presidente, César Augusto Bordallo, justificou aos acionistas os motivos dos investimentos que vinham sendo feitos na São Joanense: os bons resultados até então apresentados e a boa aceitação dos seus produtos nas diversas praças do país, dizendo estar certo de que esses esforços seriam recompensados.

Em 1953, o Dr. José Joaquim Fernandes Couto, renomado advogado carioca, casado com a senhora Solange Bordallo Fernandes Couto, filha de César Augusto Bordallo, foi eleito Presidente da Fábrica Esperança; posteriormente assumiu a presidência da São Joanense, que, em 1980, desligou-se da sua controladora para constituir a Cia. Têxtil Pirapora. As duas sociedades, finalmente, em 2007, são incorporadas, passando a denominar-se Pirapora Têxtil S/A, porém mantendo o nome de fantasia “São Joanense” do seu grande prestígio no mercado. A história mais recente da empresa é conhecida por todos que estão integrados no setor têxtil mineiro.

Dois registros, finalmente, devem ser feitos nesta nota: em 1969, concorrendo com outros trabalhadores, o operário Murilo Valentim Canavez foi escolhido Operário-Padrão de Minas Gerais, e em seguida, no Rio de Janeiro, sagrou-se Operário-Padrão do Brasil. O segundo registro constitui um fato inédito na indústria têxtil mineira: permanece em serviço na fábrica, seu único emprego,com 66 anos de casa, o colaborador Napoleão Pereira da Silva, que, aos 80 anos de idade, considerado a história viva da São Joanense, mostra invejável bom humor e grande amor à vida e ao trabalho.




O SIFT-MG se orgulha de contar com a colaboração do atual Presidente da São Joanense, Pedro Paulo Fernandes Couto, como integrante do seu Conselho Fiscal, e do seu Vice-Presidente, Sérgio Machado Ertz, como Secretário do Sindicato. Pedro Paulo, cujo dinamismo é motivo de admiração por parte dos que com ele convivem, tem a indústria têxtil no sangue, pois é neto de César Augusto Bordallo e filho de Joaquim José Fernandes Couto. O SIFT-MG presta sua homenagem à centenária empresa, aos seus dirigentes, acionistas e colaboradores, formulando votos pelo seu sucesso.