Palavras do presidente

Sindicato






O futuro do setor têxtil


Em setembro de 2007, completamos um ano do início da mobilização nacional do Setor Têxtil e de Vestuário. De norte a sul do país, a imagem e o exemplo da união inédita dos trabalhadores e empresários do setor, em defesa da manutenção da capacidade competitiva e de mais de 1,6 milhão de empregos, ficou gravada na mente da sociedade brasileira.


Passado um ano desde o início da nossa mobilização, o setor têxtil e de confecção brasileiro ainda vivencia um cenário de adversidade. Apesar da vocação têxtil, das fábricas modernas, da auto-suficiência em algodão, da criatividade e da riqueza da identidade cultural transportada para sua moda, as empresas brasileiras têm contra si toda a sorte de desvantagem competitiva macroeconômica em comparação a seus vários concorrentes.

A queda do dólar, a elevada carga tributária e a entrada descontrolada e crescente de produtos asiáticos continuam a nos castigar. No entanto, já podemos perceber algumas possibilidades de melhoria no futuro.


Um dos sinais mais importantes talvez seja a regularização do preço de importação de produtos têxteis e de vestuário, ação desenvolvida em conjunto pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) e pela Receita Federal. A entrada no mercado nacional de produtos manufaturados com valores subfaturados, com preços menores do que o custo das suas próprias matérias-primas, passou a ser combatida de forma ampla e eficaz. Hoje, o preço médio do vestuário importado, que entra no Brasil por vias legais, já está próximo aos níveis dos preços praticados em outros países. Falta ainda coibir com maior rigor os descaminhos na entrada de produtos em nossas fronteiras, visto que ambas as modalidades lesam o setor de forma profunda.


Também o governo despertou para a importância econômica e social da Cadeia Têxtil Brasileira. E, como diz o dito popular, antes tarde do que nunca, determinou a imediata criação de um Plano Estratégico para o Setor, plano este que deve projetar estratégias para os próximos 15 anos. Juntos como nunca antes, governo, empresários e acadêmicos buscarão formas de fortalecer e sedimentar um caminho sólido para o setor, que o leve com segurança ao futuro, sem descuidar do presente. Mais que o desenvolvimento e implementação de uma política industrial, trata-se também de uma política social para garantir tantos empregos em jogo.


Mais recentemente, temos também a criação, no Congresso Nacional, da Frente Parlamentar da Indústria Têxtil, uma entidade suprapartidária, formada por mais de 220 deputados e senadores, com o intuito de defender os melhores interesses do país, no que diz respeito ao Setor Têxtil e de Confecções, em todas as esferas governamentais.


Estes são apenas alguns exemplos do muito que está sendo feito. Em cada um destes movimentos, as empresas e suas entidades representativas estiveram e continuam presentes, atuando de acordo com a responsabilidade que lhes cabe, objetivando o fortalecimento de todo o segmento têxtil.


Nossa luta continua.

Aguinaldo Diniz Filho