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Setor têxtil do país está sucateado

Data: 13/08/2010 - 13/08/2010

Indústrias brasileiras, principalmente de malharia retilínea, investem muito pouco em inovação.
LUCIANE LISBOA.

O setor têxtil é hoje um dos segmentos da indústria nacional que mais enfrenta problemas com a falta de investimentos em tecnologia, em especial as malharias retilíneas, processo que começou na década de 1980 e provocou o sucateamento do segmento. Hoje, são poucas as empresas capacitadas para investir em inovação e quase 100% das máquinas e equipamentos utilizados são importados.

De acordo com o presidente do Comitê de Malharia Retilínea da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Miller Moliane, nesse segmento, todos os equipamentos usados são provenientes do exterior, principalmente da Alemanha e Japão, já que não há fabricação nacional. "Do ponto de vista de desenvolvimento do setor, da geração de emprego, principalmente de mão de obra especializada, é muito ruim", afirmou.

Ele lembrou que, historicamente, o setor têxtil brasileiro sempre teve seu desenvolvimento vinculado às políticas governamentais, que hoje praticamente inexistem. "Alguns segmentos, como a indústria naval, recebem incentivos fortes, com universidades e centros de desenvolvimento tecnológico modernos, além dos estaleiros. Para o têxtil, não há nada", disse.

Além disso, outro ponto a ser avaliado é a idade avançada do parque fabril nacional. Isso ocorreu, segundo explicou o físico e diretor da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec), Roberto Nicolsky, porque até o início dos anos 1990, o setor têxtil nacional trabalhava com um cenário de pouca ou nenhuma competição externa, visto que o Brasil possuía um mercado protegido contra produtos têxteis importados.

Por outro lado, o setor era impedido de obter tecnologia importada devido às altas taxas de importação e às constantes desvalorizações da moeda. Este cenário de protecionismo fez com que as empresas não investissem o suficiente na modernização de seus parques industriais e na capacitação de sua mão de obra. "As fabricantes de equipamentos se tornaram obsoletas tecnologicamente, perdendo a competitividade no mercado internacional. Aí foram fechando", afirmou.

O representante da Abit ressaltou que a única fabricante de máquinas para o setor de malharias, a Coppo, instalada em Petrópolis (RJ), fechou. "Hoje, Petrópolis tem poucas malharias e a fábrica fechou, pois não conseguiu dar o salto tecnológico necessário para avançar no mercado", observou. Por outro lado, ele destacou que 90% dos fornecedores de matéria-prima para a indústria têxtil são nacionais. "Mas eles (fornecedores) também utilizam matéria-prima importada."

O presidente do Sindicato da Indústria Têxtil de Minas Gerais (Sindimalhas), Flávio Roscoe, ressalta que a maior dificuldade para os investimentos em tecnologia para a indústria têxtil nacional é o alto custo da produção, aliado à alta carga tributária e a taxa de câmbio desfavorável. "È muito difícil investir no Brasil. As fábricas brasileiras perdem competitividade diante das dificuldades que os empresários enfrentam e a burocracia governamental. Isso engessa o setor", afirmou.

Fonte: DIÁRIO DO COMÉRCIO